HISTÓRIA *

Esta associação recreativa, segundo o emblema que a identifica, teve fundação em 1954, por isso com mais de meio século de existência.

Segundo afirmam pessoas idosas, a sua existência é anterior àquela data, o que não foi possível documentar. Contudo, Manuel do Nascimento Mestre, natural de Afonso Vicente mas que a partir do casamento se fixou nas Cortes Pereiras, afirmou-me que em 1938 já existia uma sociedade nas Cortes Pereiras, sendo o seu grande impulsionador, Amândio Matias. Dizia-nos o nosso informador que se ouvia telefonia e jogava-se às cartas à luz do candeeiro de petróleo.

A sede da associação esteve instalada em vários locais das Cortes Pereiras, começando numa pequena casa no Monte do Poço, e em outras arrendadas, sabendo-se que em 1966 se pagava de renda 20$00 mensais.

Sabemos que em 1965 a sociedade adquiria o diário lisboeta “O Século” para leitura dos sócios, entretendo-se os mesmos jogando as cartas, nomeadamente “os três setes”.

Entre as despesas desse ano, notam-se as efectuadas com petróleo, para iluminação, álcool, para aquecer o petromax, anisada, seca e rebuçados.

Curioso a circunstância dos jornais velhos serem vendidos a peso, constituindo assim uma receita, minorando a despesa na sua aquisição.

No ano de 1966, além das despesas semelhantes à do ano anterior, verifica-se a compra de dois baralhos de cartas (22$00), a carga de uma bateria, que certamente servia uma telefonia pois aparece igualmente o pagamento de 50$00 de taxa de rádio.

Em 1967 temos a registar as despesas com a caiação das instalações, a aquisição de copos e uma dádiva de 20$00 feita por António Porfírio, que supomos ser sócio.

Não deixa de ser interessante conhecer a nota lançada em Maio de 1967 pelo secretário da Direcção, Baltazar João Carlos e nos seguintes termos: “Os membros da Direcção devem verificar as contas todos os meses e assinar ou chamar a atenção ao secretário se encontrarem alguma coisa que não esteja bem”.

 A quota em 1968 era de 2$50. Compram-se bolos, dois litros de aguardente de medronho e pela primeira vez laranjadas e gasosas.

No ano seguinte foi importante o gasto de 200$00 com o arranjo da telefonia que acaba por ser vendida pela mesma importância dois anos depois.

Neste mesmo ano, Joaquim Manuel Pereira oferece à sociedade um baralho de cartas, a renda passa para 10$00 mensais, pensando nós que houve mudança de instalações.

Foi criada nesta altura a jóia de 10$00.

Em Maio de 1972 o contínuo é responsável pelo mobiliário da sociedade, isto é, devem existir todos os objectos que constam do inventário. O Contínuo não deve atender às observações dos sócios que não tenham o pagamento das suas quotas em dia.

Apresentamos de seguida os saldos verificados nas contas de 1965 a 1975. Saldos das contas em 31 de Dezembro(1):

1965 1.219$90 1966 1.323$90 1967 1.264$30 1968 1.331$20 1969 610$00 1970 717$43 1971 815$60 1972 987$10 1973 1.232$50 1974 1.770$60 1975 1.005$50

 

 

De 1966 a 1969 o lugar de contínuo foi exercido por José R. Pereira que foi substituído em 1970 por João Francisco.

RELAÇÃO DOCUMENTADA DE ELEMENTOS DA DIRECÇÃO:

(ANO/PRESIDENTE/SECRETÁRIO/TESOUREIRO)

1966 / Miguel G. Alves / Mário L. Martins / A.Costa Teixeira

1967 / “ / Baltazar J. Carlos / “

1968 / “ / José N. Mestre / “

1969 / “ / “ / “

1970 / “ / Baltazar J. Carlos / “

1971 / “ / “ / João B. Nunes

1972 / “ / José Guerreiro / F. António João

1973 / “ / “ / “

1974 / “ / “ / “

1975 / “ / “ / "

Todas as associações, de vários tipos, têm épocas de fulgor, outras de nostalgia e mesmo de inactividade, isto acontece nas grandes e nas pequenas, nas cidades e nas aldeias.

Com esta assim tem acontecido e por ela têm passado períodos de inactividade com a tristeza de alguns e a alegria de outros, estando contudo até hoje em superioridade os primeiros.

Em 1975 já a sociedade se encontrava instalada no primitivo edifício público escolar que veio mais tarde a ser adquirido pela mesma à Fazenda Pública e em haste pública.

Assisti, em 1975 nestas instalações, já na posse da associação, numa Sessão de Esclarecimento Político, o Povo das Cortes Pereiras referia a necessidade imperiosa da construção de uma ponte sobre a ribeira de Cadavais junto da vila de Alcoutim, o que efectivamente se veio a realizar em 1986, com inauguração do 1ºMinistro Cavaco Silva.

 Dois ou três sócios desta Associação pensaram que era necessário que a mesma possuísse um distintivo que a identificasse, traduzindo ao mesmo tempo a vivência do monte em que se situa.

Depois da apresentação de dois modelos, aproveitou-se o que foi considerado mais representativo em cada um deles, dando origem ao que se apresenta.

Convocada a pedido da Direcção, na Assembleia Geral, realizada em Agosto de 2000, foi apresentado aos sócios presentes o modelo, sendo explicado o seu significado e o direito de se pronunciarem sobre ele.

O modelo foi aprovado por unanimidade.

Atendendo a que a maioria dos associados não compareceu por não se encontrar no monte ou por qualquer outro motivo, entendeu a Direcção e para conhecimento de todos, organizar um quadro explicativo para ser afixado na sede.

É esta a pequena resenha histórica que apresentamos, elaborada em documentação e na tradição oral.

 

(1) Livro de Contas de 1966 a 1975 da Sociedade Recreativa Unidos do Monte

*José Varzeano